A Moral Provisória

Uma Reflexão Cristã

A Moral Provisória
Aline Xavier

Vivemos em um tempo de contrastes: de um lado, o avanço da sabedoria e do conhecimento humano; do outro, as trevas, a degradação e a imoralidade. As profecias bíblicas se cumprem diante dos nossos olhos, e não podemos ignorá-las. Como está escrito em Mateus 24:12: "O amor de muitos esfriará". E, lamentavelmente, esse amor já se extinguiu ou se ressecou nos corações de muitos.

O amor ao dinheiro, à riqueza, à aparência pessoal tomou o lugar do amor ao próximo e ao Criador do Universo. O século XX (e já estamos no Século XXI) trouxe ao mundo inovações tecnológicas e descobertas científicas que impressionaram até os leigos. A genética, por exemplo, promete realizar clonagens, como ocorreu com a ovelha Dolly. A biologia revela constantemente partículas menores que, surpreendentemente, carregam uma espécie de vida própria. A industrialização e mecanização das fábricas afastaram o ser humano do processo de trabalho, e as máquinas passaram a realizar as tarefas com mais eficiência e menor custo.

A matemática, de forma quase fria e impessoal, oferece explicações até para a existência de uma “força superior”, como mostrado em uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, há alguns anos.

O homem, esse ser complexo, segundo as ciências sociais, é tão multifacetado que se torna difícil estabelecer normas e leis que beneficiem a todos, sem que surjam controvérsias e disputas. Os avanços científicos foram tão profundos que até a ciência, antes impessoal, começou a questionar o paradigma dominante e a perceber uma nova visão de mundo.

"Estamos num momento de transição", escrevem muitos estudiosos e livros que abordam essas questões. Mas, afinal, quando começa a vida? No momento da fecundação ou no nascimento do bebê? O ser em coma prolongado, que já não responde, ainda é uma pessoa ou apenas um corpo vegetativo? Essas são questões éticas, baseadas em valores, onde não se trata apenas de escolher entre o bem e o mal. Sabemos o que é melhor, mas as escolhas raramente são simples. Cada decisão carrega consigo uma pluralidade de imperativos contraditórios.

Você consegue reconhecer-se em alguns exemplos abaixo?

  • Uma criança ir ao cinema não é necessariamente ruim, desde que seja durante o dia, em um shopping, em um horário menos movimentado. Onde estaria o mal nisso?
  • Assistir a novelas, por exemplo, pode ser visto como algo "legal", pois, ao mostrar o que não se deve fazer, nos ajuda a prevenir os erros.
  • Ouvir músicas como funk, rock, pagode, ou outras, na sua própria casa, parece inofensivo. Afinal, você também ouve músicas de sua igreja.

Contudo, estamos esquecendo as sábias palavras de Salomão: "Guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida" (Provérbios 4:23). E o que o apóstolo Paulo nos ensinou: "Encham as suas mentes com tudo que é bom e merece elogios: o que é verdadeiro, digno, justo, puro, agradável e honesto" (Filipenses 4:8).

O autor David Tame, no livro O Poder Oculto da Música, descreve dois acontecimentos surpreendentes. Em uma pesquisa, os doutores Earl Flosdorf e Leslie A. Chambers descobriram que sons agudos projetados em um meio líquido podem coagular proteínas. Curiosamente, muitos adolescentes levam ovos frescos aos concertos de rock, colocando-os perto do palco. Durante o show, os ovos podem ser consumidos cozidos, como resultado da música. No entanto, poucos se perguntam o que tal música pode fazer aos seus próprios corpos.

Em outro exemplo, o Departamento de Proteção Ambiental dos EUA constatou que a perda permanente de audição entre os fãs de rock é muito mais comum do que imaginamos. Problemas auditivos que antes eram típicos de pessoas de 50 a 60 anos agora afetam jovens de gerações atuais.

E, então, o que importa? Afinal, "o que vale é o que Deus vê que está no meu coração!" Essa ideia se perpetuou ao longo do século XX e segue com força no século XXI. O homem confia demais em seus impulsos, agindo como se tivesse o poder de moldar o mundo da maneira que mais lhe convier.

Infelizmente, a vida devocional se tornou algo quase inexistente para muitos cristãos. Ir à igreja se tornou apenas uma rotina, como abrir a porta de casa. A verdadeira transformação de vida, o caráter renovado, a nova criatura de que Paulo fala, virou motivo de zombarias, até mesmo entre os próprios fiéis. "Estamos num momento de transição", dizem muitos livros lançados recentemente. E, de fato, vivemos os momentos finais. Somos a igreja de Laodiceia mencionada em Apocalipse 3:15-16, que diz: "Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da Minha boca."

Os autores Bob Toben e Fred Wolf, em Tempo, Espaço e Além, escrevem sem rodeios: "Não espere pelo Messias, não espere pela Segunda Vinda, o EU real está aqui e agora – no íntimo... Compreenda: há vida em todas as coisas. Compreenda: você não é aquilo que ensinaram a você. Permita à consciência unir-se com você. E, algum dia, não pararemos de sorrir... quando caminharmos, flutuaremos, e a luz jorrará de nossos olhos."

Edgar Morin, em Ciência e Consciência, propõe uma tese chamada de "Moral Provisória", onde a decisão sobre o que fazer depende da subjetividade de cada um, visto que se tornou difícil distinguir claramente o certo do errado.

E você, o que pretende fazer? Seguir seu coração, seus desejos? Criar sua própria moral, à parte dos princípios eternos? Lembre-se: Deus é eterno. Seus mandamentos são eternos.

Você está disposto a trocar a vida eterna, a presença infinita e soberana de Deus por um copo de macarrão instantâneo, que fica pronto em três minutos e não faz sujeira?

Reflita sobre Daniel e seus amigos. Imagine o sofrimento deles quando foram levados para a Babilônia. Coloque-se no lugar deles. Você agiria conforme a vontade de Deus? Nos últimos dias, os desafios não serão diferentes. Você está preparado? Está fazendo sua parte para apressar a vinda do Senhor?

Deixo uma meditação final de Blaise Pascal: "A beleza serena e tranquila de uma vida santa é a mais poderosa influência no mundo, a mais próxima do poder de Deus."

Que, quando Cristo voltar, você possa abraçá-Lo e dizer: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé" (2 Timóteo 4:7).

Aline Pinheiro Xavier é psicóloga, têm pós-graduação e mestrado em psicologia educacional. Atualmente atua no Tribunal de Justiça de Guarapuava, PR.

Referências

BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João de Matos. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

TAME, David. O Poder Oculto da Música. São Paulo: Nova Era, 2005.

TOBEN, Bob; WOLF, Fred. Tempo, Espaço e Além. São Paulo: Pensamento, 1999.

MORIN, Edgar. Ciência e Consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996.