CEO do Dakila diz não ter nada a ver com caso de corrupção, mas pede acesso à ação do Gaeco

Fábio Oruê, Gabriel Maymone -

CEO do Dakila diz não ter nada a ver com caso de corrupção, mas pede acesso à ação do Gaeco
Empresários Eli Souza (esquerda) com Urandir Fernandes. (Reprodução, Impacto)Empresários Eli Souza (esquerda) com Urandir Fernandes. (Reprodução, Impacto)

Pai do ET Bilu havia dito que não tinha ligação com a operação por fraudes em Terenos

O ufólogo e proprietário do Dákila, Urandir Fernandes de Oliveira, pediu acesso à investigação na ação que culminou na Operação Collusion, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na quarta-feira (21).

Naquele dia, os agentes prenderam Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Sousa, dono do Grupo Impacto — em processo de aquisição pelo Dakila Comunição — e Eudmar Rogers Nolasco de Faria, diretor comercial do grupo. Além deles, outros quatro empresários foram presos.

O grupo de empresas Dákila, cujo dono é Urandir, iniciou no ano passado aquisição do grupo Impacto. A informação foi confirmada pela assessoria jurídica do Dákila, Kezia Miranda, em nota oficial enviada à reportagem.

 

Outdoor da nova empresa ao lado da casa de Eli. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)

Inicialmente, o grupo Dákila havia negado a aquisição, afirmando apenas ter comprado um imóvel do grupo Impacto. Mas, depois, confirmou que o Dakila está em tratativas para comprar a empresa de comunicação, sendo que as negociações estão “em fase de auditoria rigorosa”.

Apesar da ligação com o grupo, em sua página no Instagram, Urandir publicou um vídeo com prints de matérias veiculadas pelo Jornal Midiamax, sobre a operação. Os títulos citam a prisão do dono do grupo Impacto Mais, Eli Sousa.

Na publicação, o CEO de Dakila afirmou que não tinha qualquer ligação com Eli Sousa e com a empresa Impacto Mais. Porém, no dia em que o amigo de longa data foi preso, Urandir tentou acessar os detalhes da investigação.

No entanto, o jornal apenas constatou a sociedade entre as partes, fato confirmado pela própria assessoria jurídica de Dakila. A casa em que o Gaeco realizou buscas no cumprimento de mandado contra Eli fica, inclusive, ao lado da sede da Dakila Impacto Comunicação Ltda.

Ainda assim, as reportagens contêm resposta da advogada do grupo e a informação de que Urandir e o grupo Dákila não são investigados na ação.

(Reprodução, Instagram)

Após ser atacada com acusações de fake news, a reportagem do Jornal Midiamax acionou novamente o jurídico de Dakila, para esclarecer as acusações feitas por Urandir. No entanto, não obtivemos respostas.

As investigações das duas operações deflagradas nesta semana referem-se às licitações do grupo impacto antes da aquisição. O grupo Dákila ou o empresário Urandir Fernandes não estão no rol de investigados. Além disso, Urandir afirmou, por nota, que não tinha relação com a operação.

Entretanto, Urandir pediu acesso aos autos do processo no mesmo dia em que a operação foi deflagrada pelo Gaeco. O Jornal Midiamax apurou que o ufólogo chegou a ser incluído na ação como parte autora, por engano — e excluído em seguida.

Trecho do pedido feito por Urandir para acessar o inquérito. (Reprodução)

Urandir chamou o advogado criminalista conhecido por atuar em casos de corrupção, Tiago Bunning, para representá-lo no pedido. A reportagem acionou Bunnning questionando sobre o pedido de inclusão, mas até esta publicação não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Ainda após o pedido, o MPMS indicou que ele não deveria ter acesso aos autos, já que não é investigado nem foi alvo da operação.

Sociedade

Eli Sousa é sócio de Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. (CNPJ 37.992.346/0001-23).

A advogada do ecossistema Dákila, Kézia Miranda, ressaltou que “a BDM Dourado é uma outra empresa, ou seja, são empresas completamente distintas, objetos distintos e atividades distintas”.

A advogada explica que dois CNPJs em que Francisco consta como sócio de Urandir já estão em processo de liquidação e baixa contábil.

Ainda que as buscas do Gaeco se restringiram a um imóvel vizinho ao prédio que pertence ao grupo Dákila, “sem qualquer vínculo jurídico, patrimonial ou operacional com o grupo, ou com seu fundador [Urandir]”.

Novo escândalo em Terenos

Em 21 de janeiro de 2026, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e a Promotoria de Justiça de Terenos deflagraram as operações Collusion e Simulatum contra fraudes em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos.

A Operação Collusion investiga uma organização criminosa que fraudava licitações e contratos públicos, além de cometer crimes relacionados. Os investigados se associaram para obter contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021.

Já a Operação Simulatum identificou um grupo que fraudava contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021.