Palermo entra em isolamento máximo na penitenciária federal de Campo Grande
Com 126 anos em condenações e histórico ligado ao tráfico internacional, Gerson Palermo ficará 20 dias em cela de inclusão sob rígido protocolo de segurança
Após seis anos foragido e vivendo na Bolívia sob identidade de fazendeiro, o narcotraficante internacional Gerson Palermo, de 68 anos, começou nesta quinta-feira (28) o período de isolamento na Penitenciária Federal de Campo Grande. Considerado pelas autoridades brasileiras um criminoso de alta periculosidade, ele foi inserido às 10h30 no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), etapa inicial do protocolo aplicado a presos que ingressam no sistema penitenciário federal.
A transferência para a unidade de segurança máxima encerra uma trajetória marcada por condenações que somam 126 anos de prisão, além de episódios de grande repercussão nacional, fugas e atuação no tráfico internacional de cocaína na fronteira entre Brasil e Bolívia.
Palermo foi preso em território boliviano durante ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e agentes da força antidrogas da Bolívia. Após chegar a Campo Grande na noite de quarta-feira (27), permaneceu sob custódia na Superintendência da Polícia Federal e passou por audiência de custódia antes de ser encaminhado ao presídio federal.
Isolamento absoluto e rotina rígida
Nos primeiros 20 dias, o detento permanecerá na chamada cela de inclusão, espaço destinado à triagem dos recém-chegados ao Sistema Penitenciário Federal.
Segundo informações repassadas por policial penal federal, o período serve para avaliações médicas, psicológicas, jurídicas e cadastramento interno.
Durante essa fase, Palermo ficará sem contato com outros presos, em isolamento integral, enquanto recebe orientações sobre funcionamento da unidade, normas disciplinares e rotina prisional.
Ainda nesta quinta-feira, ele recebeu alimentação padrão oferecida aos internos — composta por arroz, feijão, proteína, salada, fruta e suco — e participou, por videoconferência, de audiência relacionada a processo que responde na 3ª Vara Criminal de Campo Grande.
Estrutura desenhada para impedir fugas
O presídio federal de Campo Grande possui aproximadamente 12 mil metros quadrados, quatro alas de vivência e 208 celas individuais.
A cela destinada ao isolamento inicial possui cerca de 14 metros quadrados e conta com espaço reservado para banho de sol individual. Toda a estrutura é planejada para minimizar riscos de fuga e aumentar o controle sobre os internos.
Cama, banco, prateleiras e apoio para refeições são construídos em concreto e integrados à estrutura da cela. O espaço conta ainda com pia, sanitário e chuveiro.
Após o período de triagem, caso não haja intercorrências, Palermo poderá ser transferido para outra ala da unidade. Nessa etapa, continuará isolado na maior parte do tempo, permanecendo entre 22 e 23 horas por dia sozinho na cela, sob monitoramento permanente por áudio e vídeo.
O banho de sol ocorre em períodos limitados e grupos reduzidos, organizados conforme protocolos de segurança que evitam contato entre integrantes de facções rivais ou ligados à mesma organização criminosa.










