Raízen registra prejuízo de R$ 15,6 bi e dívida chega a R$ 55,3 bi

Raízen registra prejuízo de R$ 15,6 bi e dívida chega a R$ 55,3 bi

Raízen prejuízo: a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, segundo comunicado da companhia divulgado em 13 de fevereiro de 2026. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, a perda chega a R$ 19,8 bilhões.

Resumo dos números

No trimestre (outubro a dezembro), a receita líquida totalizou R$ 60,4 bilhões, queda de 9,7% na comparação anual. O resultado operacional foi negativo em R$ 4,4 bilhões; o Ebitda do período reverteu de R$ 2,5 bilhões (ano anterior) para perda. No acumulado do ano-safra, o Ebitda caiu 95,1%, para R$ 579,8 milhões.

Por que o prejuízo aumentou

A empresa atribui parte da queda operacional a condições climáticas que afetaram a moagem da cana e ao desinvestimento em ativos. Além disso, a companhia reconheceu um impairment de R$ 11,1 bilhões após revisão das premissas usadas nos testes de recuperabilidade de ativos, incluindo tributos diferidos, ágio por rentabilidade futura e outros ativos não financeiros. A Raízen ressalta que essas provisões são não caixa e podem ser revertidas se as condições melhorarem.

Dívida e liquidez

Ao fim do trimestre a dívida líquida alcançou R$ 55,3 bilhões, alta de 43,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 31 de dezembro de 2025, a companhia possuía R$ 17,3 bilhões em caixa e aplicações, com mais de 90% de liquidez imediata. A empresa também afirmou que desinvestimentos anunciados representaram aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa.

Impacto nos ratings e nas medidas adotadas

Após cortes de nota pelas agências S&P e Fitch, a Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo de Raízen para ‘CCC+.Br’ e colocou a perspectiva em revisão para rebaixamento. Em resposta, a companhia selecionou assessores financeiros e legais e contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb para avaliar alternativas estruturais e negociar com investidores e acionistas.

Operações e vendas em andamento

Entre os desinvestimentos citados estão usinas vendidas em São Paulo e Mato Grosso do Sul (ex.: Continental, Rio Brilhante e Passa Tempo). A trading suíça Mercuria avançou com uma oferta para comprar uma refinaria e centenas de postos da Raízen na Argentina, operação que pode ultrapassar US$ 1 bilhão, segundo reportagem da Reuters citada pela empresa.

O que observar daqui para frente

Analistas e fontes do mercado consultadas pela reportagem apontam que a empresa pode buscar soluções de reestruturação da dívida, incluindo — em último caso — a possibilidade de recuperação judicial, embora a companhia diga que os controladores se comprometeram a aportar capital dentro de uma solução consensual. Monitorar evoluções nos processos de venda de ativos, negociações com credores e eventuais novas medidas de corte de custos será essencial para avaliar a reversão do quadro.

Este texto reúne informações divulgadas pela própria Raízen em comunicado e reportagens associadas. Valores e decisões mencionados referem-se ao período e às fontes comunicadas pela companhia em 13/02/2026.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site CNN Brasil