Silêncio vira crime: protocolo e rede de apoio em Dourados

Silêncio vira crime: protocolo e rede de apoio em Dourados

Episódio encerra série e ensina como agir em casos de violência contra a mulher nas escolas e na comunidade

No último episódio da série “Formação de Educadores contra a Misoginia”, a pedagoga e advogada Loreni Giordani conduziu um diálogo direto sobre violência contra a mulher, medidas protetivas e o papel das escolas em Dourados (MS). A declaração foi dada durante entrevista ao MauroPodcast. O debate reuniu a psicóloga Bárbara Marques (Viva Mulher), a delegada Ariana (DAM) e a soldado Helania Bassani (PM – Programa Mulher Segura).

As convidadas detalharam protocolos de ação e redes de apoio — informação essencial para professores, direção escolar, famílias e vizinhança. “Qualquer pessoa pode denunciar; a escola pode oficiar a Delegacia da Mulher com o relato do aluno”, explicou a delegada Ariana, reforçando que a criança deve falar o mínimo possível para evitar revitimização. Já Bárbara lembrou que o Viva Mulher atende de portas abertas, elabora plano de segurança e articula vaga em creche/escola para vítimas que mudam de endereço. Bassani destacou a eficácia das medidas protetivas: descumprimento virou crime com reclusão de 2 a 5 anos, e, quando há tornozeleira, a vítima é alertada por celular sobre aproximação do agressor. Segundo a delegada, em MS a imensa maioria dos feminicídios ocorre sem medida protetiva ativa, o que reforça a importância de denunciar cedo.

Na escola, os sinais que mais passam batido são o insulto naturalizado (“biscate”, “galinha”), a agressividade persistente, o baixo rendimento e a distribuição de nudes entre adolescentes — situações que devem ser documentadas e encaminhadas à DAM e ao Conselho Tutelar. Em casos de medida protetiva, a direção precisa ser notificada: se o autor aparecer no portão, é flagrante e deve-se chamar o 190.

Fechamento
Em pleno Agosto Lilás, o recado foi claro: violência se enfrenta em rede. Escola, vizinhos, família, serviços psicossociais e polícia precisam agir juntos. Educar para o respeito hoje é prevenir feminicídios amanhã.

Rodapé institucional

O conteúdo foi extraído da conversa no MauroPodcast, gravado em 13 de agosto.
 Esta matéria foi produzida com base em entrevista exclusiva gravada nos estúdios do MauroPodcast. Transcrição via Adobe Podcast. Produção: @mauropodcast | WhatsApp: (67) 99951-7179. Assista: https://youtube.com/live/67sz9BZLcxc