Tribunal decreta prisão de 16 pelo desvio de R$ 15 milhões na Prefeitura de Terenos
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva de 16 pessoas acusadas de integrar a organização criminosa comandada pelo prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB). O tucano é acusado de causar prejuízos que superam R$ 15 milhões ao município. O esquema foi descoberto com o aprofundamento da operação deflagrada em agosto do ano passado.
Nesta terça-feira (9), a Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) e Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), deflagrou a “Operação Spotless”, que teve objetivo o cumprimento nos Municípios de Terenos e de Campo Grande de 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão.
Operação cumpre 16 mandados de prisão, mas três investigados não tinham sido localizados até o momento (Foto: Bruna Marques/Campo Grande News)
O prefeito foi reeleito em outubro do ano passado com 53,69% dos votos válidos após a Operação Velatus, deflagrada em 13 de agosto do ano passado. Na ocasião, o então secretário municipal de Obras, Isaac Cardoso Bisneto, foi preso. Ele ficou detido até o início deste ano, quando foi solto pelo vice-presidente do TJMS, desembargador Fernando Mauro Moreira Marinho.
Com o avanço das investigações, o MPE chegou ao prefeito de Terenos. “A investigação constatou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública instalada no município de Terenos, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso”, informou a procuradoria.
“A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente no último ano, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais)”, destacou.
“O esquema envolvia também o pagamento de propina aos agentes públicos que, em típico ato de ofício, atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, como ainda aceleravam os trâmites administrativos necessários aos pagamentos de notas fiscais decorrentes de contratos firmados entre os empresários e o poder público”, relatou.
A quebra do sigilo telemático ajudou os promotores a delinear o esquema de corrupção comandado por Henrique Wancura. O cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão contou com o apoio dos batalhões de Choque de Operações Especiais (BOPE).
“’Spotless’ – termo que dá nome à operação, é uma referência à necessidade de os processos de contratação por parte da Administração Pública serem realizados sem machas ou máculas”, explicou o MPE.
A prefeitura de Terenos confirmou a operação em nota.









